quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Na sala de ensaio

Depois de uma manhã para conhecer Haia foi hora de entrar no teatro. Os bailarinos fizeram uma aula de balé clássico e começaram os ensaios para a apresentação de amanhã. Dá um frio na barriga só de pensar... e depois é a melhor sensação do mundo.
Se lá fora está frio, aqui dentro do teatro, está quente. Os corpos já estão aquecidos. O ensaio corrido começou com Inquieto, de Henrique Rodovalho. Na sequência, Gnawa, de Nacho Duato. Agora eles estão ensaiando Supernova, que é o balé que será apresentado em Neuss. Hoje é dia de passar todos os trabalhos sob o olhar das diretoras Iracity Cardoso e Inês Bogéa. Os Duplos, de Maurício de Oliveira, ainda deve vir por aí.  

Hoje as atividades estão concentradas na na sala de ensaio porque o palco está sendo montado e preparado para a apresentação de amanhã. As camareiras já correm de um lado para o outro deixando os figurinos que serão usados nas apresentações à espera dos bailarinos, as sapatilhas corretas, e outros. Comunicação e produção fecham os últimos detalhes da apresentação. 

A estreia é amanhã. Aqui são 16h.  Mais notícias virão.

por Marcela Benvegnu, de Haia

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Chegamos. Dia de explorar....

Depois de um vôo São Paulo-Zurich, outro Zurich-Amsterdam e de um ônibus de Amsterdam para Haia, chegamos. Chegamos com muita vontade de depois de amanhã levar a arte da São Paulo Companhia de Dança para o palco do Holland Dance Festival. 


Ainda hoje depois de acomodados no hotel, direção artística, equipe técnica, ensaiador e comunicação foram conhecer o Theater aan het Spui, que é o teatro que vamos nos apresentar entre quinta-feira e sábado. Ele já está preparado para nos receber, com posteres e banners da Companhia. Vimos dois deles,  ambos com a foto de Gnawa, coreografia de Nacho Duato. As fotos são de João Caldas. São 360 lugares e o formato arena (mesmo em caixa-preta) permite que o público veja a obra de cima. Isso dará aos presentes no Holland Dance Festival, e também a nós da SPCD, uma nova perspectiva de olhar as coreografias.



O Holland Dance Festival (vale a pena entrar no link - estamos na primeira página com chamada, notícia e vídeo) é um dos mais importantes festivais internacionais de dança. Em 2012, a São Paulo Companhia de Dança participa pela primeira vez. Na programação também estão: Nederlands Dance Theatre 1 e 2, Silvie Guilliem, Billy T. Jones, Meryl Tankard, Beijing Dance Theatre, entre outros, e também a brasileira Maurício de Oliveira & Siameses, do coreógrafo Maurício de Oliveira, que assina Os Duplos, uma criação para a São Paulo Companhia de Dança que será apresentada aqui.

Para quem não sabe, Haia é a terceira maior cidade nos países baixos depois de Amsterdam e Roterdã. Fica localizada no oeste do país, na província da Holanda do Sul. Haia é a real sede do governo. 

Amanhã os bailarinos irão conhecer o teatro, fazer aula e ensaiar um pouco.... Novidades a qualquer momento. AQUI!
 
por Marcela Benvegnu, de Haia

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Lá vamos nós...(de novo)

São quase 15h. Hoje é dia 20 de fevereiro de 2012. Dia que a São Paulo Companhia de Dança embarca para a sua segunda turnê na Europa.  

Viajamos hoje... daqui a pouco para que nos dias 23, 24 e 25, às 21h possamos subir ao palco do Theater aan het Spui, dentro do Holland Dance Festival, em Haia, Holanda, para apresentar Os Duplos, Maurício de Oliveira; Inquieto, de Henrique Rodovalho e Gnawa, de Nacho Duato. No dia 28, quando a SPCD subir ao palco do Staadthalle Neuss, às 20h, na programação do Internacionale Tanz Wochen, em Neuss, o repertório será um  pouco diferente. As obras apresentadas serão: Os Duplos, de Maurício de Oliveira, Gnawa, de Nacho Duato e Supernova, de Marco Goecke.

“A participação em festivais internacionais demonstra o alto nível atingido pela SPCD em tão pouco tempo, uma prova de que o Governo de São Paulo investe em cultura de qualidade”, afirma o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo.
Para Iracity Cardoso, diretora da São Paulo Companhia de Dança, a apresentação da SPCD em ambos festivais é uma chance para que mais uma vez em países diversos, o público europeu possa apreciar nossa jovem companhia de dança. “Já estive nestes dois festivais com o Ballet Gulbenkian e agora voltar com uma companhia da minha cidade natal é um grande prazer”, fala. “Durante estas apresentações teremos a chance de trocar com outras importantes companhias do mundo e mostrar a diversidade do nosso repertório”, completa Iracity. 

“Preparamos para estes eventos um programa que mostra a versatilidade dos nossos intérpretes e combina obras criadas especialmente para a Companhia por coreógrafos brasileiros com peças do repertório internacional”, fala Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança. “É nossa segunda apresentação na Europa. No ano passado (2011) estivemos em Baden-Baden, na Alemanha. Foram três dias de apresentações com a casa lotada. Estes festivais são uma grande oportunidade de trocarmos com outras companhias e, além de podermos sentir a vibração da platéia, podemos ampliar nossas possibilidades artísticas”.

Aqui no blog você irá novamente acompanhar o dia-a-dia da Companhia no exterior e conferir imagens especiais do que anda acontecendo do outro lado do mundo.

Boa viagem para nós!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Comemoração fora dos palcos

Parentes de bailarinos, pessoas que sempre acompanham nosso trabalham e até aqueles que só estavam passando e resolveram nos prestigiar. Esse era o público que se reuniu para assistir a performance da São Paulo Companhia de Dança, em comemoração ao seu 4º aniversário, no último dia 28, no metrô Brás. “Quando minha amiga me ligou hoje de manhã e disse que a SPCD iria se apresentar na estação do metrô eu vim correndo com a minha filha”, disse Eliane de Lima, de 37 anos, mãe de Isabella Lima, uma das garotinhas que esperavam ansiosas pela apresentação. “Quando crescer quero ser bailarina”, diz a menina que dança desde os 3 anos.
Milton Coatti, bailarino da SPCD montou as coreografias que foram apresentadas: Sensorial, um contemporâneo que levou ao espaço todos os 35 bailarinos da SPCD, e a segunda uma coreografia na qual a platéia foi convidada para dançar com os bailarinos.
“Foi extraordinário!”, exclamou Ana Claudia, 48, que havia chegado minutos antes para ver a apresentação. “Adorei, irei assistir as outras”, disse Isis Maia, 23. Maria Cristina Teixeira, 55, gostou tanto que garantiu acompanhar o trabalho da companhia daqui para frente. “Pena que não durou muito, mas já fiquei sabendo das próximas apresentações e vou assistir todas”, finaliza.
As improvisações apresentadas seguem junto da exposição Dança das Imagens para a estação Paraíso (10/02 com apresentação em 11/02) e na estação Luz (10/03 com apresentação em  17/03), ambas as mostras ficam até o dia 30 do devido mês. Se não assistiu não perca. Confira abaixo algumas fotos e a matéria exibida no SPTV na data.


Por Murilo Rocha | de São Paulo

Robson Lourenço; Um novo olhar sobre a dança

Espelhos fechados. Esse é um dos diferenciais da aula do professor Robson Lourenço. “Na minha aula os bailarinos entram em um contato profundo com sua ‘auto-imagem’, os espelhos transmitem uma visão de fora, um modelo a seguir. Eu não busco isso”, diz ele. Robson, que foi durante as últimas semanas professor convidado da São Paulo Companhia de Dança, começou sua formação em dança com aulas de sapateado, aos 20 anos de idade. Mas tarde percebeu que os rapazes que dançavam balé tinham um melhor desempenho nos saltos, então nesse mesmo periodo fez sua primeira aula de balé clássico. “Me apaixonei”, completa.
Professor há 3 anos, começou a dar aulas por meio de um convite feito por Silvia Geraldi, coordenadora na época, do curso de Dança da Anhembi Morumbi. O método usado pelo bailarino vem do princípio da percepção do próprio corpo. “Começo a aula sempre trabalhando um determinado ponto do corpo, em seguida faço exercícios de barra e no centro, focando o ponto escolhido”, acrescenta. Sua forma de trabalhar tem como base os princípios de direção óssea, princípios da coordenação motora, contato com a imagem do próprio corpo e direção de vetores.
Seus estudos tiveram inicio em meio a uma crise de limitação técnica. “Sentia que tinha alcançado um estagio e não evoluía mais”, assim, aos 29 anos, com base em métodos de grandes nomes da dança, Robson levou seus fundamentos para a sala de ensaio e graças a eles diz nunca ter se machucado durante toda sua carreira como bailarino. Ao ser questionado sobre a experiência de ser professor convidado da companhia, diz “Esses jovens são ótimos! Eles têm uma grande mobilidade e percepção. Captam rápido aquilo que eu digo e têm um forte conhecimento do balé clássico” finaliza.


Por Murilo Rocha | de São Paulo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Metrô realiza exposição com imagens da São Paulo Companhia de Dança


Um olhar para a diversidade, para força dos conjuntos e para a individualidade de cada bailarino da São Paulo Companhia de Dança em cena é a tônica da exposição Dança das Imagens – Exposição de fotos da São Paulo Companhia de Dança, que reúne fotos de espetáculos da SPCD em estações de metrô de São Paulo. Realizada pelo Metrô, a exposição teve início no começo do mês de janeiro na estação Brás, e segue para a Estação Paraíso no mês de fevereiro. A itinerância termina em março, na Estação Luz.
Além da exposição de fotos, as estações receberão a coreografia Sensorial, criada por Milton Coatti, bailarino da SPCD. Ao final da coreografia os usuários do metrô poderão dançar com os bailarinos, e para isso foi disponibilizado na internet um vídeo ensinando os passos. Confira no vídeo abaixo.
Venha dançar com a SPCD.


Dança das Imagens | Exposição de fotos da São Paulo Companhia de Dança
De 10 a 30 de janeiro | Estação Brás
De 10 a 28 de fevereiro | Estação Paraíso
De 10 a 30 de março | Estação Luz

Improvisações dos bailarinos da SPCD nas Estações
Dia 28 de janeiro | Estação Brás | 17h
Dia 11 de fevereiro | Estação Paraíso | 17h
De 17 de março | Estação Luz | 17h

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

2012 começa animado....

Se vocês pensam que a gente desistiu do blog estão completamente enganados. Estávamos apenas de férias preparando muitas surpresas e novidades para vocês. A dança aqui na SPCD já está rolando solta. Os bailarinos novos já chegaram e estão aprendendo o repertório. Tem gente saindo, gente entrando. Tudo em movimento. Não dá para ser diferente.

Janeiro começou agitado. Hoje, dia 10, começou uma exposição no metrô Brás chamada Dança das Imagens - Fotos da São Paulo Companhia de Dança, que pode ser vista até dia 30. Depois ela vai para o metrô Paraíso, no mês de fevereiro e termina na Estação da Luz, em março. E no dia 28 de janeiro, dia do aniversário da São Paulo Companhia de Dança, faremos uma improvisação no Metrô Brás, às 17h. Se você for até lá vai ter uma surpresa e poderá dançar com a gente! Não perde vai...

Mas o post de hoje é mesmo para avisar vocês para assistirem nesse sábado, às 20h30, na Record News, o programa Link Brasil. Os bailarinos da Companhia Michelle Molina e Yoshi Suzuki gravaram hoje uma matéria super bacana sobre dança e videogame. Não dá para contar porque se não, perde a graça. Abaixo um pequeno vídeo para você ter vontade de assistir ao programa! Se ligue!.

Por Marcela Benvegnu, de São Paulo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os aprovados de 2011

Os bailarinos que foram aprovados na audição passada (2011) da São Paulo Companhia de Dança hoje puderam reviver este momento enquanto aqui, rolavam as audições para a temporada 2012.
“Eu tive que pedir demissão da companhia em que estava para fazer a audição. Apostei todas as minhas fichas. A SPCD me encantava, e valeria a pena qualquer sacrifício. Eram 64 homens e fiquei entre os 7 para a última fase”, disse Nelson Pacheco. Juliana Leonel, embora estivesse ansiosa porque era o seu primeiro trabalho, se divertiu, “A audição é uma caixinha de surpresa, pois não sabemos o perfil que a Companhia busca”. Para eles, o pior momento era o da eliminação dos candidatos.  “Hoje me vejo neles, e penso que há um ano atrás, era eu quem estava ali”, contou Karina Moreira.


Por Jéssica Gambeta | de São Paulo

Tá rolando...


Aline Campos em Serenade

Começou a terceira parte da audição, agora os 10 bailarinos estão passando por uma análise de perfil com o RH e também por testes de avaliação física. O clima aqui na SPCD é bom, um misto de tranquilidade e emoção. Às vezes nos pegamos nervosos por eles, com eles. Todos conversam, brincam. Eles têm o mesmo objetivo. Johnny Ferreira estava entusiasmado. “A pior parte já foi, o maior nervosismo já passou, agora tudo que preciso é de confiança e calma, espero que dê tudo certo”. Aline Campos, que já dançou na Companhia estava um pouco mais ansiosa que Johnny. “Já fiz parte, queria voltar pra cá, isso dá um certo nervosismo, embora já conheça aqui, as coisas mudam, e isso me deixa mais ansiosa ainda”.

Por Marina Sakovic | de São Paulo  

O desafio do "sim"

A sala da SPCD: hoje outros bailarinos passam por aqui
Hoje a SPCD realiza a sua quarta audição. É um momento de tensão para todos os envolvidos. De um lado, aqueles que quem entrar na Companhia, de outro, a direção, que tem que fazer uma escolha (ou mais de uma). Uma escolha baseada no que a companhia busca e precisa nesse momento. A cada ano a "competição" fica mais difícil e complicada porque aparecem bailarinos mais preparados e a SPCD também já tem uma identidade com o elenco atual. É um grande desafio. Se uma bailarina não é selecionada, não quer dizer que ela não esteja preparada para entrar em uma companhia profissional, porém, neste momento ela não se encaixa no perfil procurado.
Sempre será assim. O desafio do "sim" é diário. Não só na dança, mas na vida. A todo tempo fazemos escolhas. Você escolheu mandar o seu material para audição. Escolheu vir tentar. O outro lado agora avalia. É uma prova. Tem dias que vamos bem, outros nem tanto. Algumas vezes somos os melhores dentro daquele grupo de pessoas, em outros, tem gente melhor que a gente. Desafio difícil.


O coração bate forte. Nós que estamos nos bastidores queremos ver a todo momento o que acontece, em que parte da aula se está, qual o físico do número x, o que o número y faz de diferente. Como está o pé daquela bailarina que a gente já conhece? Ela está preparada? Está bonita? Essas são algumas perguntas que fazemos aqui, do lado de fora. Parece que dançamos com eles dentro da sala. Ficamos até distantes do vidro para que não vejam que estamos ali faz tempo... Observamos. Torcemos para a menina não cair e para os meninos girarem impecáveis double tours.


A eliminação, que faz parte de qualquer processo, é uma passagem. Uns vão, outros ficam. A vida também é assim. As escolhas sempre nos pautam e nesse momento pautam as diretoras da SPCD. Olhares se cruzam. Elas dançam ali também.


Não sabemos o número de bailarinos que devem ser contratados (claro que a direção sabe... ), serão mais meninos? Mais meninas? Nós, aqui, dividimos isso com você que nos lê. Que acompanha o blog minuto a minuto e que está ultramente conectado no Twitter, que é ligado ao nosso Facebook. ´Quais serão os nomes que ocuparão a sala da SPCD no ano que vem? O desafio agora é ocupar o espaço, preencher talvez um vazio com movimento.


SOBRE AS AUDIÇÕES - As primeiras audições foram realizadas em 2008 em Belém, Recife, Brasília, Porto Alegre, e na Argentina, com audição final em São Paulo. Foram 824 inscritos e desses foram contratados 39 bailarinos. Em 2008 elas aconteceram novamente, e em 2009 e 2010 também. Esse ano recebemos a inscriçao de 79 mulheres e 54 homens, passando para a segunda fase, 10 mulheres e 16 homens. E agora na terceira... 5 homens e 5 mulheres. Nas audições os candidatos passam por provas de técnica clássica, sequências de dança moderna e contemporânea e frases coreográficas do repertório da Companhia.


por Marcela Benvegnu | de São Paulo

Ansiedade das meninas para audição da São Paulo Companhia de Dança

No fundo de um corredor da sede da São Paulo Companhia de Dança, 10 meninas se aquecem, todas em busca do mesmo objetivo: Se tornar uma bailarina profissional, viver do que lhes dá prazer, todas em busca de realização profissional, mas principalmente, pessoal. Não dá pra esconder o nervosismo, dá pra notar pelo olhar. Todas dizem que o coração está palpitando cada vez mais forte. Mexem os pés, alongam, dão risada, mexem nos cabelos, os humores e sensações parecem alternar bastante, ora nervosismo, ora alegria, ora ansiedade. Agora é esperar, dar o melhor de si, e torcer. Boa sorte à todas!

Por Marina Sakovic | de São Paulo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lá e cá. Um diário.

Como prometemos no post Uma argentina, na Argentina, abaixo está o diário dos bailarinos Norton Fantinel e Liana Vasconcelos sobre a semana que ambos passaram, na Argentina, e na sede da SPCD, respectivamente. Enquanto uma turma viajou para se apresentar no FIBA - Festival Internacional de Buenos Aires, outra ficou aqui, ensaiando para as próximas apresentações. Nesse post você entra na intimidade desses acontecimentos em detalhes, e conhece um pouco mais sobre esses bailarinos. Confira.

Quinta –feira  | Dia 22 de setembro
Galera da SPCD no aeroporto
Norton e Bóris no restaurante japonês
 










NA ARGENTINA: Cheguei na sede da SPCD as 6h e peguei o ônibus com meus colegas para o aeroporto de Guarulhos. No caso fui escalado para ir junto ao primeiro grupo.  Chegando no aeroporto fiz o check in e fui comprar alguns pesos. Comecando a parte boa da viagem segui em direção a Duty Free la entrei com o objetivo de comprar uns presentinhos e, claro, houve a coincidência ao chegar no aeroporto de estragar meu headphone. Acabei me dando de presente um novo.  Chegando em Buenos Aires, um frio de rachar, nos dirigimos para o hotel onde fizemos um check in rápido e logo fomos  almoçar todos em um restaurante chamado Billares. Ao fim do almoço eu, Irupe e Nielson fomos passear um pouco passamos primeiramente por vários teatros Teatro San Martin ,Teatro Presidente Alvear no qual nos apresentamos, dentre outros. Ficamos no Atlas Tower Hotel, que fica localizado na avenida Corrientes, que é como se fosse a Broadway,  onde encontram-se quase todos teatros. Também passamos em frente ao Obelisco e atravessamos uma das avenidas mais largas do mundo a Av. 9 de julho, que é uma das principais avenidas de Buenos Aires e uma das mais largas do mundo, com 140 metros. A avenida recebeu este nome para homenagear a data da Independência Argentina (9 de julho de 1816). Claro que durante nossa caminhada fomos a uma loja de guloseimas, na qual compramos alguns alfajores e chocolates. Como legítimos bailarinos adoramos um doce e passamos na frente do Teatro Colón, um teatro com muita tradição e uma história. Chegando ao final de nosso passeio voltamos para o hotel tomei um banho para relaxar e fui jantar. Saí para jantar e fui a um restaurante de comida japonesa, que adoro, mas achei o espetinho um pouco pequeno demais como um bom gaúcho não poderia deixar de tocar nesse assunto. (Norton Fantinel)
NA SPCD: Começamos nosso dia com uma aula de música incrível da nossa pianista Rosely Ezequiel.  Ela nos explicou sobre os ritmos musicais usados na dança de corte, como Sarabanda, Minueto,entre outros. Escutamos também um CD de Bach e vimos um DVD de uma gala de Balanchine. Logo depois, tivemos aula de balé clássico com o Zé Ricardo Tomazelli.  Uma aula super tranquila de fazer, mas que ao mesmo tempo nos faz trabalhar bastante a consciência de cada movimento e a sua execução. Após a aula, ensaiamos Theme and Variations e Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine. Ainda tivemos alguns minutinhos de condicionamento físico antes do almoço. Fizemos abdominais, flexões e todos os exercícios de prevenção de lesões. Após o almoço: a aula de contemporâneo com o Jhean Allex.  Foi a parte mais empolgante do dia: uma aula super dançante, onde ele consegue explorar a individualidade dos bailarinos, cada um executando os movimentos organicamente, do seu jeito. Depois disso, aproveitamos para fazer alongamentos e dar uma relaxada no corpo, que estava bem fadigado após a aula de contemporâneo. Depois de acabado o nosso horário de trabalho, eu tive massagem com a nossa terapeuta corporal Cissa Santini, para aliviar as tensões e os nós musculares. (Liana Vasconcelos)

Sexta-feira | Dia 23 de setembro
NA ARGENTINA: Pela manha resolvi descansar um pouco então acordei tomei um banho e lá pelo meio dia fui almoçar. Após o almoço passeei com Beth (quem eu chamo de minha segunda mãe na cia) e passeamos em frente do Congresso Nacional. Após o passeio fui  à farmácia e comprei alguns sais para tomar um banho de banheira e relaxar um pouco para me preparar para o primeiro dia de ensaios. Chegando ao Teatro começamos a fazer aula e já no primeiro passo da barra todos bailarinos estranharam um pouco o palco pois ele era inclinado, uma coisa que foge do nosso costume porque para o bailarino que é acostumado a dançar em palcos planos há uma mudança significativa  no nosso eixo principalmente para piruetas. Começaram os ensaios e posso ver que os bailarinos estão prontos para desbravar com seu talento mais um país assim como fizemos na Alemanha. O que mais senti no ensaio enquanto estava passando meu pas de deux com Paula foi a inclinação,  parecia que o palco te puxava para frente eu sentia que tinha que projetar meu externo para cima e também minha panturrilha ficava muito dolorida.  (Norton Fantinel)

Turma que ficou em São Paulo em aula com Jean Allex na SPCD
NA SPCD:  Começamos nosso dia com a aula do Zé Ricardo. Depois  tivemos um período de condicionamento físico, usando pesinhos, bola, rolinho. Cada  bailarino fazendo o que achava importante para melhorar sua força e resistência muscular. Depois assistimos alguns vídeos, dentre eles Car-men, de Jiri Kylian e alguns vídeos de Balanchine, como Stars and Stripes e Concerto Barroco. A tarde,fizemos a aula de Contemporâneo do Jhean. Ele passou um trabalho bem intenso de chão,com rolamentos,flexões e abdominais. Foi bem interessante. E seguimos com alguns minutos de alongamento no final. Terminado nosso horário de trabalho, eu e minha amiga Karina Moreira fomos assistir ao ensaio geral do espetáculo da Ana Botafogo e da Companhia Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, no Teatro Alfa.  Após um longo congestionamento de 2 horas, conseguimos chegar e matar a saudade de todos os amigos cariocas. Após o ensaio, saímos para jantar  e comemorar meu aniversário que foi dia 24 .(Liana Vasconcelos)

Sábado | Dia 24 de setembro

O elenco de Sechs Tänze em Buenos Aires: palco inclinado
Na Argentina:  Acordei ansioso pela estreia fiquei sabendo que os ingressos estão esgotados . Acho que essa estreia em Buenos Aires será muito importante para todos os bailarinos mas penso que para uma bailarina terá um gostinho especial, minha colega Irupé que dancará em seu país de origem. Vejo que desde a aula ela está vivendo um sonho de estreiar uma peça tão importante em sua terra.  (Norton Fantinel)
NA SPCD:  Nosso dia de sábado passou voando. Antes de começar a aula do Zé, fui surpreendida por um “parabéns pra você” tocado ao piano pela Roseli.  Depois, tivemos aula de contemporâneo com o Jhean. Neste dia ele pegou um pouco mais leve no trabalho de chão, já que estávamos todos doloridos do dia anterior. Acabada a aula, nós fizemos um alongamento rápido e eu segui para o aeroporto de Congonhas, com destino ao Rio de Janeiro, para comemorar meu aniversário com a minha família. (Liana Vasconcelos)


Domingo | Dia 25 de setembro

Norton Fantinel
NA ARGENTINA:  Acordei fui direto almoçar. Estava estava sozinho depois foram chegando mais pessoas, chegou a Beth e logo depois Karina, nossa ensaiadora e Iracity (diretora). Começamos a conversar sobre nossa infância e rimos bastante e eu que não era nenhum santo contei a história de quando eu e meu primo estávamos brincando de fazer uma fogueira indígena, mas havia um detalhe: a fogueira foi embaixo da cama do quarto de minha irmã. Resumindo colocamos fogo no quarto de minha irmã! E essa foi uma de várias histórias de almoço bem divertido. Saindo do hotel fui me preparar para fazer aulas. Fiz meu aquecimento, fiz aula e em seguida tivemos correções do espetáculo do dia anterior . Voltei para o hotel pois sempre gosto de dormir antes de dançar. Cada bailarino na verdade faz seu ritual ou tem a  sua própria maneira de se concentrar antes do espetáculo. Quando voltei ao teatro novamente me aqueci e fui fazer minha maquiagem. No domingo senti o pessoal bem mais relaxado  e  usando a energia de uma forma sensacional. O palco estava iluminado e a plateia amou. Finalizei a noite com um jantar  o lado de meus companheiros da SPCD  e com o feeling de dever cumprido e muito bem, por toda equipe. Não podemos deixar de falar da técnica, produção, direção e bailarinos (desculpe se eu estiver esquecendo de mais alguém)... Uma palavra para descrever nossa turnê para Buenos Aires: SUCESSO! (Norton Fantinel)

sábado, 1 de outubro de 2011

Emoção marca espetáculo no MA

Alunos chegando para o Espetáculo Aberto em São Luis
Apagaram-se as luzes e começou o barulho de água... Era a música de Gnawa, coreografia de Nacho Duato. E a plateia silenciou, porque o espetáculo ia começar. Não era uma plateia qualquer, foram mais de 600  estudantes, de idades variadas (entre 6 e 18 anos),  alunos de balé, amantes da arte e da dança que foram ao Teatro Arthur Azevedo, ontem, dia 30 de setembro, às 15h, para assistirem ao Espetáculo Aberto para Estudantes, da São Paulo Companhia de Dança.


A trilha sonora parecia ter sido feita para ser tocada em São Luís, que tem em sua história (e memória) a presença e participação de franceses, holandeses, portugueses e africanos, além dos nossos índios, cravada em todo o seu pilar. Os bailarinos que se apresentaram em Gnawa, entre eles Beatriz Hack, arrancaram risos e suspiros da plateia, que empolgada, batia palmas entre uma frase coreográfica e outra, entre as entradas e saídas do duo que é apresentado por Renata Bardazzi e Samuel Kavalerski.
No detalhe (lado dir.), banner do BNDES: patrocinador


Durante o pequeno intervalo, Inês Bogéa, uma das diretoras da SPCD, fez uma sensibilização com a plateia e contou com a ajuda das bailarinas Thamiris Prata e Luiza Lopes. Juntas elas criaram um movimento junto com a plateia.  


Seguiu-se então a estreia de Vitor Rocha, em Legend, coreografia de John Cranko, com a já experiente Paula Penachio. Para fechar a tarde, Supernova, *coreografia de Marco Goecke, alemão, e que tem como tema a explosão (e morte) de uma estrela. A plateia aplaudiu a coreografia em muitos momentos. Em seus comentários eles diziam como os bailarinos da SPCD eram incríveis e técnicos. 

ABERTURA - A abertura da atividade educativa foi marcada pela presença do diretor do Teatro Arthur Azevedo, Roberto Brandão; pelo coordenador do Núcleo de Arte-Educação do Teatro Arthur Azevedo, Josué da Luz e por Marlilde de Abreu, Secretária Adjunta de Cultura, do Estado do Maranhão, representado o então Secretário de Cultura, Luís Henrique de Nazaré Bulcão. Entregamos 3 kits, com DVDs, livros, programas e que serão disponibilizados na biblioteca do teatro e do núcleo de arte educação da cidade. 


Todos nos agradeceram, mas o agradecimento e o prazer foi todo nosso, de estarmos próximos de uma plateia tão entregue. Esperamos vocês nos espetáculos de hoje, às 21h.

por Renata Amaral, de São Luis | MA

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Visitas em São Luís | MA

 
                                          Uma das paisagens de São Luis (MA): SPCD na cidade 

Depois de mais de quatro horas de vôo, a equipe da SPCD desembarcou em São Luís, Maranhão, ontem. E quem pensa que eles pararam de trabalhar, se enganou... Inês Bogéa, diretora artística; Luca Baldovino, superintendente de produção, Milton Coatti e Michelle Molina, bailarinos da SPCD, visitaram três escolas da cidade - Escola de Dança Adágio, Espaço Dança Myiam Marques e Centro de Movimento Soraia Lima - para promoverem os espetáculos que faremos.. Para quem ainda não se agendou as apresentações da SPCD são este final de semana, sexta e sábado, às 21h, no Teatro Arthur Azevedo. É a nossa primeira vez em São Luis. Não percam!!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma argentina, na Argentina: Irupé Sarmiento

Irupé Sarmiento nasceu em Salta, Argentina, e é uma das solistas São Paulo Companhia de Dança. Ela é a única estrangeira que trabalha na companhia. Irupé começou a dançar aos 10 anos de idade, passou pela Escola de Liliana Biagini, pelo Escola de Dança Contemporânea do Teatro General San Martín, pela School of American Ballet, em Nova York e integrou como bailarina profissional o Ballet Contemporâneo do Teatro General San Martin... Quando ela sobe no palco, impossível não notá-la, ainda mais na interpretação do solo de Prélude à l´apré-midi d´un Faune, de Marie Chouinard. E foi essa peça que ela apresentou no último final de semana em Buenos Aires, Argentina, nos espetáculos da São Paulo Companhia de Dança no FIBA (Festival Internacional de Buenos Aires), no Teatro Presidente Alvear. Para o blog ela fez um diário para que vocês possam saber o que ela sentiu ao "dançar em casa". Confiram abaixo.
Essa semana você ainda confere aqui o que aconteceu na sede SPCD na última semana com um post da bailarina Liana Vasconcelos e outro ddo bailarino Norton Fantinel, com mais histórias de Buenos Aires.
Irupé Sarmiento em ensaio de Prélude à l´Aprè-midi d'un Faune, com o Cristiano Pedott,
 iluminador, que ela cita em seu texto abaixo. Foto: Acervo SPCD



 
Por Irupé Sarmiento
QUINTA-FEIRA | Dia 22 de setembro
“A viagem começou com muita ansiedade. Voltar para a cidade onde iniciei a minha carreira profissional e dançar no teatro que dancei pela última vez última vez antes de sair do meu país era muita emoção. Obviamente que na noite anterior não consegui dormir nada, os pensamentos e lembranças se amontovavam n a minha cabeça, provocando diferentes emoções. Finalmente depois do que para mim foi uma eternidade de viagem, chegamos a Buenos Aires. A cidade que nos esperava estava fria, fazendo-me lembrar dos velhos invernos e de tomar um café quentinho... Na chegada do hotel na avenida Corrientes (famosa por localizar a maior parte dos teatros da cidade) uma surpresa maravilhosa. Minha irmã estava esperando a por mim! Fizemos o check-in rapidinho e fomos passear como turista na cidade onde morei mais de nove anos”.


SEXTA-FEIRA | Dia 23 de setembro
“Chegou o dia da primeira aula e ensaio no palco do Teatro Presidente Alvear. O palco tinha muito declive e foi difícil para a gente se acostumar. O corpo lutava entre o costume e ao mesmo tempo com a dificuldade de quem não estava mais acostumado a dançar ali. E assim foi durante o primeiro ensaio corrido. Meu Deus. Instabilidade, resumindo: medo. Por favor, preciso de mais ensaio”.


SÁBADO | Dia 24 de setembro
“Acordei um pouco mais calma, já que passei a noite toda pensando o que devia fazer para não cair para frente (adutores e cruzar pernas!).  O ensaio foi muito melhor me senti mais segura. Fizemos duas passadas para ficar que eu e o Cris (iluminador) ficássemos mais familiarizados com a luz para o espetáculo. Eu já estava bem tranquila. Fiz a maquiagem, coloquei o figurino, fiz os exercícios de aquecimento do Fauno (o balé que danço) e fiquei escutando a música. Subi as escadas para o palco e fiquei caminando em no palco para sentir o declive e as luzes. O intervalo terminou. A cortina subiu e o fauno finalmente ficou livre. Foi uma viagem maravilhosa cheia de alegria, frustação, fúria. O fauno estava finalmente em seu lugar! O publico foi incrível, os aplausos muito calorosos e renovadores. Estava novamente em casa com minha arte! A noite terminou junto da minha família e amigos em um reencontro único! Felicidade e mais felicidade”.
DOMINGO | Dia 25 de setembro
“Nossa viagem estava chegando ao final. Passou muito rápido. Fizemos aula e correções do espectáculo e começamos a nos preparar novamente para a apresentação. Foi novamente uma experiência única, novas sensações e cores. Como gosto de fazer esta peça! A Companhia foi recebida e despedida com aplausos, desejos de volta e um público maravilhoso que fico feliz que assistiram uma companhia com o nível da nossa. Um orgulho ser parte do elenco da SPCD. Minha nova família. Termine a viagem com um jantar lindo ao lado da minha família e de ali a fazer as malas e esperar a volta”. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Paula Penachio por Marcelo Gomes


Paula Penachio e Marcelo Gomes no palco do Teatro Alfa: cumplicidade e técnica  | Crédito: Wilian Aguiar

“Paula é uma bailarina estupenda. Dançar com ela é fácil, é um prazer. Apesar de muito jovem, tem maturidade para encontrar os olhos do partner. Tivemos uma grande sintonia. Raramente vou a uma companhia em que, no primeiro ensaio tenho a certeza de que já podemos dançar no palco no dia seguinte. A São Paulo Companhia de Dança me inspirou a ser um artista melhor. O relacionamento foi agradável com todos. A direção é ótima. Foi um período excelente de trabalho”.

Marcelo Gomes | é primeiro bailarino do American Ballet Theatre e foi bailarino convidado da temporada da São Paulo Companhia de Dança no Teatro Alfa para a apresentação de Tchaikovsky Pas Deux, de George Balachine

transcrição de Gisele Silva de São Paulo

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A emoção de dançar Supernova...


Nielson Souza em Supernova
Foto: Wilian Aguiar

Um misto de sentimentos moveu os bailarinos de Supernova no ultimo dia da apresentação da temporada no Teatro Alfa. Ansiedade, nervosismo, angustia, porém algumas sensações se tornam comum a todos, felicidade, satisfação e emoção. No terceiro dia todos estavam mais calmos. “Não foi tão cansativo quanto imaginei, e hoje, diferente do primeiro dia, estou bem tranqüilo. Trabalhar com o Giovanni foi incrível” diz Nielson Souza. A interação dos bailarinos em Supernova é perfeita, a rapidez com que aqueles movimentos acontecem faz da obra de Goecke, algo agradável e intrigante. “O que me deixou mais nervosa foi a velocidade dessa coreografia, cheguei a achar que seria impossível, mas deu tudo certo, o trabalho ficou maravilhoso”, comenta com um sorriso no rosto, a bailarina Ana Paula Camargo.

“Devemos agradecer o Giovanni, que nos deixou muito a vontade, além de respeitar o tempo e limites de cada um. Foi tudo simplesmente maravilhoso, sem explicação”, conta Rafael Gomes. A estreia da obra remontada pelo italiano Giovanni di Palma foi um sucesso. Os 13 bailarinos que compõem o elenco sentiram-se realizados e foram unanimes ao dizer que essa é uma coreografia que mesmo trazendo grandes obstáculos, principalmente físicos, trouxe ao mesmo tempo um grande contentamento. “Foi uma das melhores obras que já dancei muito agradável, gosto da sensação de nervosismo e da dificuldade que nos trouxe”, completa Fabiana Ikehara.

(por Marina Sakovic, de São Paulo)


Marcelo Gomes na SPCD

Marcelo Gomes e Paula Penachio em ensaio de Tchaikovsky Pas de Deux | George Balanchine © 2009 | The George Balanchine Trust | Foto: Wilian Aguiar
O segundo dia de apresentações da temporada 2011 no Teatro Alfa da São Paulo Companhia de Dança foi repleto de emoção e aplausos. A noite de sábado levou cerca de 800 pessoas ao Alfa e todos puderam assistir a participação de Marcelo Gomes, em Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine. Marcelo é primeiro bailarino do American Ballet Theatre (NY), uma das mais importantes companhias de dança do mundo, desde 2002. “Dançar no Brasil é diferente de tudo, pois é como se eu dançasse pela primeira vez para a minha família. O frio na barriga aumenta. Minha mãe veio de Manaus, meu irmão, do Rio de Janeiro. A cobrança para que eu faça tudo certo é maior, porque quero fazer o meu melhor para eles”, comenta. Marcelo se apresentou nos dias 26 e 27 de agosto, com Paula Penachio, bailarina da São Paulo, há três anos. Para ela, a sintonia entre eles foi instantânea. “No primeiro dia de ensaio sentimos que não precisaríamos de muitos outros. Nos entendemos bem. Foi melhor do que eu esperava. Eu estava ansiosa para entrar no palco, porque dançar com ele era algo que eu queria fazer”, afirma.

por Gisele Silva, de São Paulo

Emoção da estreia

Nielson Souza e Ana Paula Camargo em Supernova
Foto: Wilian Aguiar
Plateia em silêncio, a cortina se abre, acendem as luzes, e na coxia estão eles vivendo uma sensação que mistura medo, angustia, e felicidade. É exatamente isso que os bailarinos da SPCD sentiram na estreia da segunda temporada de 2011 no Teatro Alfa, no último final de semana, quando estrearam Supernova, do alemão Marco Goeke, remontada para a Companhia por Giovanni Di Palma.
Segundo o bailarino Nielson Souza ao por os pés no palco, a ansiedade se transforma em uma força que faz com que tudo dê certo. “A ansiedade é inevitável, mas com o decorrer do balé a gente vai reconhecendo o palco, os movimentos, e vai se acalmando”, diz Souza. Para ele o nervosismo da estreia só passa ao final da coreografia. “Quando a gente está preparado para curtir o espetáculo, ele acaba”, completa. O bailarino confessa que na estreia (sexta-feira, dia 26) estava calmo e afirmou que esta montagem foi a mais fácil que já fez. “Estou tranquilo, meu corpo se adequou muito bem aos movimentos, essa coreografia é muito ‘minha’, mas não tem como saber se na hora que a cortina se abrir meu coração não vai saltar pela boca”, finaliza.
Já para a bailarina Ana Paula Camargo o momento da estreia é de muita aflição. “Fico nervosa, mas tento me controlar”, diz ela, que ao contrario de seu colega, sentiu dificuldade para aprender os novos passos. “Foi difícil. Os movimentos são muito rápidos e secos, mas agora é muito bom de fazer”, acrescenta Ana, que acredita que todo o nervosismo vem do fato da estreia ser algo ainda não vivido, porém, ela diz que essa sensação se torna algo “gostoso quando o bailarino sabe o que fazer no palco”. “Quando a gente sabe o que fazer, a ansiedade virá algo bom”, finaliza.

SUPERNOVA – A coreografia foi inspirada pela música de Antony & The Johnsons e pelo fenômeno astronômico das supernovas - estrelas que explodem e brilham no espaço por algum tempo – Marco Goecke criou esta obra em 2009 para a Scapino Ballet Rotterdam. Supernova é uma obra de contrates, na qual morte e vida, escuro e claro, estão ligadas pela energia de cada corpo. Os bailarinos aparecem e desaparecem do palco misteriosamente e a movimentação é marcada por sequências muito rápidas, precisas e controladas que fazem os corpos vibrarem. Para Goecke, cada movimento pode acontecer somente uma vez. "Você pode fazê-lo cada vez mais rápido, então dificilmente ele vai existir no final". A São Paulo Companhia de Dança é a primeira companhia no Brasil a dançar uma obra de Goecke.

por Murilo Rocha, de São Paulo

sábado, 20 de agosto de 2011

A dança, o tempo e o ensaio


Público chegando para a palestra
Realizada na sede da São Paulo Companhia de Dança, na manhã de sábado (13/08/11), a Palestra com o Professor, ministrada por Inês Bogéa, diretora da SPCD, para os interessados na arte e no movimento, teve como tema “A Dança no Tempo”, que tem o objetivo situar a dança em diversos momentos históricos, além de falar sobre sua evolução. Veja mais sobre os Programas Educativos e de Formação de Plateia clicando aqui.
“A dança cênica e a clássica surgem no Renascimento, em ambiente político. A dança cênica fala sobre as relações de poder” explica a diretora. O Rei Luis XIV, mais conhecido como Rei Sol, foi um dos ícones desses estilos, criando a Académie Royale de Danse (Academia Real de Dança), sendo Pierre Beauchamps (1636 - 1705), criador das cinco posições dos pés, seu professor. Na época do Romantismo, a mulher passa a desenvolver o papel principal no balé. “O homem vinha desenvolvendo uma técnica, de forma virtuosa, depois a mulher passa a ser atenção” comenta Inês. O maior símbolo do Balé Romântico é a obra Giselle, de Jean Coralli e Jules Perrot.
Isadora Duncan (1877 - 1927) é percussora na dança moderna, que vêm com intenção de rejeitar o estilo clássico. Os movimentos são livres e expressivos, cria-se uma possibilidade de amplitude, além de falar do que acontece no interior do homem. Já a dança contemporânea é criada no inicio do século XX, se difere por não haver uma história que siga uma sequência lógica, é marcada por gestos do dia a dia e busca transformar o que é familiar em algo curioso.
ENSAIO | Além de participar da Palestra, o público teve também a oportunidade de assistir aos ensaios da Temporada de Dança do Teatro Alfa. Um grupo de aproximadamente 40 pessoas assistiu Supernova, obra do alemão Marco Goecke, remontada pelo italiano Giovanni di Palma. O grupo observava atentamente os movimentos dos 7 bailarinos. Mariangela Lopes, professora de dança do SESI São Carlos, define a obra como inovadora, “é algo que nos permite pensar a dança de uma forma mais ampla, além de testar os limites corporais dos bailarinos”.
Observação na sala de ensaio da SPCD: ver a dança de perto
Professora de artes em Sorocaba, Lucilene Tózi achou magnífico o modo como são trabalhados os movimentos nessa coreografia “o lance da interação e não interação, da aproximação e da maneira como se repelem, faz de Supernova um balé extremamente intenso”. O aluno de dança Weslei Rodrigues conta que o que mais chamou atenção na obra de Goecke foi a utilização da pantomima, onde os bailarinos se utilizam de movimentos próximos a mímica para expressar os sentimentos. “Nessa obra tudo têm significado, eles passam uma necessidade de brilhar, cada bailarino de sua maneira, todos demonstrando agitação e uma forte energia”.
ESTREIA | A estreia de Supernova, de Marco Goecke, está marcada para o dia 26 de agosto. Outra novidade também na segunda temporada da SPCD em 2011, é a participação do brasileiro Marcelo Gomes, primeiro bailarino do American Ballet Theatre, que dançará Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine, nos dias 26 e 27, ao lado de Paula Penachi, bailarina da SPCD. Inquieto, de Henrique Rodovalho e Legend, de John Cranko também serão apresentadas. As quatro obras estarão em cartaz entre os dias 26 a 28, no Teatro Alfa.
(rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro). Ingressos pelo http://www.ingressorapido.com.br/

por Marina Sakovic | de São Paulo

Figuras da Dança 2011


Ana Botafogo na gravação de Figuras da Dança
Se você perdeu... agora terá que esperar até o ano que vem. A São Paulo Companhia de Dança terminou mais uma gravação da série Figuras da Dança, concebida por Inês Bogéa e Iracity Cardoso, em parceria com a Fundação Padre Anchieta. O projeto tem como objetivo principal conservar a historia da dança brasileira com depoimentos de importantes personalidades no cenário da dança nacional.
Em 2011 o Figuras da Dança homenageou duas importantes bailarinas que mostram as diferentes vertentes da dança. A primeira, Célia Gouvêa, revela o lado político e crítico da dança contemporânea. Célia se diz uma pioneira, uma mulher cheia de projetos, uma criadora. Em seu depoimento diz ‘querer fazer buracos no céu’, se referindo a sua eterna luta para a preservação e valorização da historia da dança em nosso país.
A segunda foi Ana Botafogo, ícone do balé clássico no Brasil. Ana mostra o lado romântico e belo da dança, mas conta, também, todas as dificuldades de uma bailarina brasileira na Europa e como se tornou este grande nome na dança. Neste ano, Ana comemora trinta anos como primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “O sonho da minha vida”, segundo ela.
Iracity Cardoso, Célia Gouvêa e Inês Bogéa
Os depoimentos foram gravados no Auditório Franco Zampari, nos dias 26 de
maio (Célia) e 12 de julho (Ana) e tiveram entrada gratuita. Os documentários, que tem direção de Inês Bogéa, serão veiculados pela TV Cultura em outubro. A série Figuras da Dança está na sua quarta edição e já conta com dezessete documentários.

Saiba mais sobre o projeto acessando o site da companhia

por Murilo Rocha e Silva | de São Paulo