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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lá e cá. Um diário.

Como prometemos no post Uma argentina, na Argentina, abaixo está o diário dos bailarinos Norton Fantinel e Liana Vasconcelos sobre a semana que ambos passaram, na Argentina, e na sede da SPCD, respectivamente. Enquanto uma turma viajou para se apresentar no FIBA - Festival Internacional de Buenos Aires, outra ficou aqui, ensaiando para as próximas apresentações. Nesse post você entra na intimidade desses acontecimentos em detalhes, e conhece um pouco mais sobre esses bailarinos. Confira.

Quinta –feira  | Dia 22 de setembro
Galera da SPCD no aeroporto
Norton e Bóris no restaurante japonês
 










NA ARGENTINA: Cheguei na sede da SPCD as 6h e peguei o ônibus com meus colegas para o aeroporto de Guarulhos. No caso fui escalado para ir junto ao primeiro grupo.  Chegando no aeroporto fiz o check in e fui comprar alguns pesos. Comecando a parte boa da viagem segui em direção a Duty Free la entrei com o objetivo de comprar uns presentinhos e, claro, houve a coincidência ao chegar no aeroporto de estragar meu headphone. Acabei me dando de presente um novo.  Chegando em Buenos Aires, um frio de rachar, nos dirigimos para o hotel onde fizemos um check in rápido e logo fomos  almoçar todos em um restaurante chamado Billares. Ao fim do almoço eu, Irupe e Nielson fomos passear um pouco passamos primeiramente por vários teatros Teatro San Martin ,Teatro Presidente Alvear no qual nos apresentamos, dentre outros. Ficamos no Atlas Tower Hotel, que fica localizado na avenida Corrientes, que é como se fosse a Broadway,  onde encontram-se quase todos teatros. Também passamos em frente ao Obelisco e atravessamos uma das avenidas mais largas do mundo a Av. 9 de julho, que é uma das principais avenidas de Buenos Aires e uma das mais largas do mundo, com 140 metros. A avenida recebeu este nome para homenagear a data da Independência Argentina (9 de julho de 1816). Claro que durante nossa caminhada fomos a uma loja de guloseimas, na qual compramos alguns alfajores e chocolates. Como legítimos bailarinos adoramos um doce e passamos na frente do Teatro Colón, um teatro com muita tradição e uma história. Chegando ao final de nosso passeio voltamos para o hotel tomei um banho para relaxar e fui jantar. Saí para jantar e fui a um restaurante de comida japonesa, que adoro, mas achei o espetinho um pouco pequeno demais como um bom gaúcho não poderia deixar de tocar nesse assunto. (Norton Fantinel)
NA SPCD: Começamos nosso dia com uma aula de música incrível da nossa pianista Rosely Ezequiel.  Ela nos explicou sobre os ritmos musicais usados na dança de corte, como Sarabanda, Minueto,entre outros. Escutamos também um CD de Bach e vimos um DVD de uma gala de Balanchine. Logo depois, tivemos aula de balé clássico com o Zé Ricardo Tomazelli.  Uma aula super tranquila de fazer, mas que ao mesmo tempo nos faz trabalhar bastante a consciência de cada movimento e a sua execução. Após a aula, ensaiamos Theme and Variations e Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine. Ainda tivemos alguns minutinhos de condicionamento físico antes do almoço. Fizemos abdominais, flexões e todos os exercícios de prevenção de lesões. Após o almoço: a aula de contemporâneo com o Jhean Allex.  Foi a parte mais empolgante do dia: uma aula super dançante, onde ele consegue explorar a individualidade dos bailarinos, cada um executando os movimentos organicamente, do seu jeito. Depois disso, aproveitamos para fazer alongamentos e dar uma relaxada no corpo, que estava bem fadigado após a aula de contemporâneo. Depois de acabado o nosso horário de trabalho, eu tive massagem com a nossa terapeuta corporal Cissa Santini, para aliviar as tensões e os nós musculares. (Liana Vasconcelos)

Sexta-feira | Dia 23 de setembro
NA ARGENTINA: Pela manha resolvi descansar um pouco então acordei tomei um banho e lá pelo meio dia fui almoçar. Após o almoço passeei com Beth (quem eu chamo de minha segunda mãe na cia) e passeamos em frente do Congresso Nacional. Após o passeio fui  à farmácia e comprei alguns sais para tomar um banho de banheira e relaxar um pouco para me preparar para o primeiro dia de ensaios. Chegando ao Teatro começamos a fazer aula e já no primeiro passo da barra todos bailarinos estranharam um pouco o palco pois ele era inclinado, uma coisa que foge do nosso costume porque para o bailarino que é acostumado a dançar em palcos planos há uma mudança significativa  no nosso eixo principalmente para piruetas. Começaram os ensaios e posso ver que os bailarinos estão prontos para desbravar com seu talento mais um país assim como fizemos na Alemanha. O que mais senti no ensaio enquanto estava passando meu pas de deux com Paula foi a inclinação,  parecia que o palco te puxava para frente eu sentia que tinha que projetar meu externo para cima e também minha panturrilha ficava muito dolorida.  (Norton Fantinel)

Turma que ficou em São Paulo em aula com Jean Allex na SPCD
NA SPCD:  Começamos nosso dia com a aula do Zé Ricardo. Depois  tivemos um período de condicionamento físico, usando pesinhos, bola, rolinho. Cada  bailarino fazendo o que achava importante para melhorar sua força e resistência muscular. Depois assistimos alguns vídeos, dentre eles Car-men, de Jiri Kylian e alguns vídeos de Balanchine, como Stars and Stripes e Concerto Barroco. A tarde,fizemos a aula de Contemporâneo do Jhean. Ele passou um trabalho bem intenso de chão,com rolamentos,flexões e abdominais. Foi bem interessante. E seguimos com alguns minutos de alongamento no final. Terminado nosso horário de trabalho, eu e minha amiga Karina Moreira fomos assistir ao ensaio geral do espetáculo da Ana Botafogo e da Companhia Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, no Teatro Alfa.  Após um longo congestionamento de 2 horas, conseguimos chegar e matar a saudade de todos os amigos cariocas. Após o ensaio, saímos para jantar  e comemorar meu aniversário que foi dia 24 .(Liana Vasconcelos)

Sábado | Dia 24 de setembro

O elenco de Sechs Tänze em Buenos Aires: palco inclinado
Na Argentina:  Acordei ansioso pela estreia fiquei sabendo que os ingressos estão esgotados . Acho que essa estreia em Buenos Aires será muito importante para todos os bailarinos mas penso que para uma bailarina terá um gostinho especial, minha colega Irupé que dancará em seu país de origem. Vejo que desde a aula ela está vivendo um sonho de estreiar uma peça tão importante em sua terra.  (Norton Fantinel)
NA SPCD:  Nosso dia de sábado passou voando. Antes de começar a aula do Zé, fui surpreendida por um “parabéns pra você” tocado ao piano pela Roseli.  Depois, tivemos aula de contemporâneo com o Jhean. Neste dia ele pegou um pouco mais leve no trabalho de chão, já que estávamos todos doloridos do dia anterior. Acabada a aula, nós fizemos um alongamento rápido e eu segui para o aeroporto de Congonhas, com destino ao Rio de Janeiro, para comemorar meu aniversário com a minha família. (Liana Vasconcelos)


Domingo | Dia 25 de setembro

Norton Fantinel
NA ARGENTINA:  Acordei fui direto almoçar. Estava estava sozinho depois foram chegando mais pessoas, chegou a Beth e logo depois Karina, nossa ensaiadora e Iracity (diretora). Começamos a conversar sobre nossa infância e rimos bastante e eu que não era nenhum santo contei a história de quando eu e meu primo estávamos brincando de fazer uma fogueira indígena, mas havia um detalhe: a fogueira foi embaixo da cama do quarto de minha irmã. Resumindo colocamos fogo no quarto de minha irmã! E essa foi uma de várias histórias de almoço bem divertido. Saindo do hotel fui me preparar para fazer aulas. Fiz meu aquecimento, fiz aula e em seguida tivemos correções do espetáculo do dia anterior . Voltei para o hotel pois sempre gosto de dormir antes de dançar. Cada bailarino na verdade faz seu ritual ou tem a  sua própria maneira de se concentrar antes do espetáculo. Quando voltei ao teatro novamente me aqueci e fui fazer minha maquiagem. No domingo senti o pessoal bem mais relaxado  e  usando a energia de uma forma sensacional. O palco estava iluminado e a plateia amou. Finalizei a noite com um jantar  o lado de meus companheiros da SPCD  e com o feeling de dever cumprido e muito bem, por toda equipe. Não podemos deixar de falar da técnica, produção, direção e bailarinos (desculpe se eu estiver esquecendo de mais alguém)... Uma palavra para descrever nossa turnê para Buenos Aires: SUCESSO! (Norton Fantinel)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma argentina, na Argentina: Irupé Sarmiento

Irupé Sarmiento nasceu em Salta, Argentina, e é uma das solistas São Paulo Companhia de Dança. Ela é a única estrangeira que trabalha na companhia. Irupé começou a dançar aos 10 anos de idade, passou pela Escola de Liliana Biagini, pelo Escola de Dança Contemporânea do Teatro General San Martín, pela School of American Ballet, em Nova York e integrou como bailarina profissional o Ballet Contemporâneo do Teatro General San Martin... Quando ela sobe no palco, impossível não notá-la, ainda mais na interpretação do solo de Prélude à l´apré-midi d´un Faune, de Marie Chouinard. E foi essa peça que ela apresentou no último final de semana em Buenos Aires, Argentina, nos espetáculos da São Paulo Companhia de Dança no FIBA (Festival Internacional de Buenos Aires), no Teatro Presidente Alvear. Para o blog ela fez um diário para que vocês possam saber o que ela sentiu ao "dançar em casa". Confiram abaixo.
Essa semana você ainda confere aqui o que aconteceu na sede SPCD na última semana com um post da bailarina Liana Vasconcelos e outro ddo bailarino Norton Fantinel, com mais histórias de Buenos Aires.
Irupé Sarmiento em ensaio de Prélude à l´Aprè-midi d'un Faune, com o Cristiano Pedott,
 iluminador, que ela cita em seu texto abaixo. Foto: Acervo SPCD



 
Por Irupé Sarmiento
QUINTA-FEIRA | Dia 22 de setembro
“A viagem começou com muita ansiedade. Voltar para a cidade onde iniciei a minha carreira profissional e dançar no teatro que dancei pela última vez última vez antes de sair do meu país era muita emoção. Obviamente que na noite anterior não consegui dormir nada, os pensamentos e lembranças se amontovavam n a minha cabeça, provocando diferentes emoções. Finalmente depois do que para mim foi uma eternidade de viagem, chegamos a Buenos Aires. A cidade que nos esperava estava fria, fazendo-me lembrar dos velhos invernos e de tomar um café quentinho... Na chegada do hotel na avenida Corrientes (famosa por localizar a maior parte dos teatros da cidade) uma surpresa maravilhosa. Minha irmã estava esperando a por mim! Fizemos o check-in rapidinho e fomos passear como turista na cidade onde morei mais de nove anos”.


SEXTA-FEIRA | Dia 23 de setembro
“Chegou o dia da primeira aula e ensaio no palco do Teatro Presidente Alvear. O palco tinha muito declive e foi difícil para a gente se acostumar. O corpo lutava entre o costume e ao mesmo tempo com a dificuldade de quem não estava mais acostumado a dançar ali. E assim foi durante o primeiro ensaio corrido. Meu Deus. Instabilidade, resumindo: medo. Por favor, preciso de mais ensaio”.


SÁBADO | Dia 24 de setembro
“Acordei um pouco mais calma, já que passei a noite toda pensando o que devia fazer para não cair para frente (adutores e cruzar pernas!).  O ensaio foi muito melhor me senti mais segura. Fizemos duas passadas para ficar que eu e o Cris (iluminador) ficássemos mais familiarizados com a luz para o espetáculo. Eu já estava bem tranquila. Fiz a maquiagem, coloquei o figurino, fiz os exercícios de aquecimento do Fauno (o balé que danço) e fiquei escutando a música. Subi as escadas para o palco e fiquei caminando em no palco para sentir o declive e as luzes. O intervalo terminou. A cortina subiu e o fauno finalmente ficou livre. Foi uma viagem maravilhosa cheia de alegria, frustação, fúria. O fauno estava finalmente em seu lugar! O publico foi incrível, os aplausos muito calorosos e renovadores. Estava novamente em casa com minha arte! A noite terminou junto da minha família e amigos em um reencontro único! Felicidade e mais felicidade”.
DOMINGO | Dia 25 de setembro
“Nossa viagem estava chegando ao final. Passou muito rápido. Fizemos aula e correções do espectáculo e começamos a nos preparar novamente para a apresentação. Foi novamente uma experiência única, novas sensações e cores. Como gosto de fazer esta peça! A Companhia foi recebida e despedida com aplausos, desejos de volta e um público maravilhoso que fico feliz que assistiram uma companhia com o nível da nossa. Um orgulho ser parte do elenco da SPCD. Minha nova família. Termine a viagem com um jantar lindo ao lado da minha família e de ali a fazer as malas e esperar a volta”.